Chocolate e o rio.

Chocolate era um cão de rua que sofreu maus tratos e foi abandonado num centro de zoonoses, onde iria ser feito a eutanásia apenas por ter uma ferida nas costas. Antes ele andava sempre pelo IFPB de Santa Rita, na Paraíba, onde alguns alunos o deram o nome de Chocolate pela cor do seu pelo. Ao saber de seu abandono no zoonoses, uma professora do IFPB, Soenia Marques, o resgatou e custeou todo o seu tratamento veterinário, a mesma escolheu a dedo quem iria adotá-lo após sua recuperação e eu tive a grande sorte de ser escolhida. Lembro de quando o conheci a 7 anos atrás, triste, cheio de medo e desconfiança, antes de o adotar havia conhecido de perto a maldade humana. Prometi a mim mesma que iria te proporcionar uma vida cheia de amor, segurança, carinho, cuidado e alegria. Mas você me ensinou a desfrutar o presente e aproveitar cada momento, a viver uma amizade genuína, passamos a ter uma conexão absolutamente profunda (sou autista e tenho dificuldade em fazer amigos, mas Chocolate era meu melhor e mais incrível amigo), me ensinou a cultivar a paciência, o cuidado, a amar incondicionalmente, sem esperar nada em troca.
Também me ensinou sobre lealdade, a ter alegria nas pequenas coisas. Era um cão magnífico, incrível, cheio de alma, inteligência, companheirismo, calma e amor. A última lição é a mais difícil, aceitar a perda. E essa perda, quando chega, ensina que amar sabendo que se vai perder ainda vale completamente a pena. Que a dor do luto é proporcional ao amor que sinto por ti.
Obrigada pelos incontáveis momentos de alegria, de risadas proporcionadas, pelo carinho, por tudo. Vou sentir tua falta todos os dias da minha existência, do teu olhar doce, teu cheiro, dos nossos passeios à beira do rio (ele amava observar o rio), dos infinitos beijos e abraços, do teu ronco, de ouvir o som das tuas patinhas no chão a me seguir pela casa, de cada mínimo detalhe.

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