Meu anjo de patas

Boog entrou na nossa vida ainda filhote, quase como se tivesse escolhido a gente. Na primeira vez em que fomos vê-lo, não o levamos. Mas quando voltamos para buscar um dos irmãos dele, todos haviam fugido… menos ele. Ficou ali, olhando para nós com aquela carinha de pidão que tornou impossível ir embora sem levá-lo.

E foi assim que começou uma história de amor, companheirismo e muitas aventuras.

Foram anos de muita fofura, travessuras e momentos inesquecíveis. Em uma mudança que fizemos, ele precisou ficar alguns dias com amigos, e quando fomos buscá-lo, estava magro, assustado e doente. Cuidamos dele com todo amor do mundo, e ele se recuperou. Depois disso, ficou um pouco mais ranzinza — um senhorzinho cheio de personalidade — mas continuou sendo extremamente amoroso e brincalhão.

Na chácara onde morávamos, Boog era conhecido por aprontar muito. Fugía com a “gangue” dele pela vizinhança e claramente era o chefão da turma. Um dia, ele sumiu, e enquanto eu procurava desesperadamente, encontrei um cartaz de adoção preso em um poste… com a foto dele! Fui buscá-lo e lá estava ele, feliz da vida na chácara vizinha, fazendo amizade e conquistando todo mundo.

Minha filha trabalhava em um pet shop perto de casa, e Boog ia sozinho até lá só para vê-la — e também porque sabia que ganhava petiscos da dona.

Quando nos mudamos para um apartamento, ele demorou a se adaptar. Afinal, não podia mais fugir e viver livremente como tanto gostava. Mas, mesmo assim, continuou enchendo nossos dias de alegria.

Alguns anos depois, já com 14 aninhos, apareceu um abscesso em seu pescoço. Levamos ao veterinário e iniciamos o tratamento acreditando ser apenas uma inflamação causada por picada de inseto. Cuidamos dele com muito carinho. Mesmo teimoso e resmungão, nosso velhinho continuava brincando, comendo bem e pedindo para passear.

Meses depois, surgiu um caroço em seu rosto. Mais uma vez procuramos ajuda veterinária, e acreditamos que fosse um problema dentário. Ele não demonstrava dor, continuava alegre e agindo normalmente.

Até que, em um sábado à tarde, Boog passou mal. Saímos procurando atendimento, tentando encontrar um lugar que pudesse fazer exames. Encontramos uma clínica aberta, mas já não havia anestesista disponível. Pediram que o levássemos para Piracicaba no dia seguinte.

Fomos logo cedo, cheios de esperança.

Mas recebemos a notícia que jamais imaginaríamos ouvir: não era um problema dentário. Era um câncer agressivo, que já havia tomado tudo por dentro. O veterinário explicou que ele sofreria muito e que não havia mais o que fazer.

Disseram que ele precisava descansar.

Minha filha se sentou na calçada e chorou como uma criança. E eu, naquele momento, não sabia se chorava pela dor de perdê-lo ou se tentava ser forte para consolá-la.

Saímos de casa para buscar um tratamento… e voltamos sem ele.

Escrevo isso ainda com lágrimas nos olhos, porque a saudade continua enorme mesmo depois de dois anos. Boog não foi apenas um cachorro. Ele foi família, companheiro, amigo e parte da nossa história.

Gostaria muito que a história dele fosse lembrada porque, acima de tudo, ele viveu intensamente e foi muito amado.

Ao nosso eterno Booguinho. ❤️

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