Krishna

Krishna

Creio que o propósito da vida seja desenvolvermos a arte de amar. E o amor, na sua expressão de sentimento por excelência, sempre nos convidará à percepção da beleza que, por exemplo, um animalzinho abandonado nos suscitará. Foi assim com o Krishna, essa fofura felina.
Caminhava eu, o cair da tarde em direção à faculdade, quando percebi a presença de alguém sem rumo, um tanto abatido, mendigando migalhas à beira da estrada. Miados entrecortados, andar vacilante, súplicas de carinho. Dei-me conta de que não há palavras humanas suficientemente capazes para explicar o verdadeiro sentido da compaixão. Que empatia é essa que nos faz acolher o sofrimento alheio? Não é difícil, para os que se dispõem a dividir a bem-aventurança, notar que a alegria de dar é maior que a de receber.
Na tarde seguinte, em que nos deparamos, pela segunda vez, na mesma beira de estrada, não vacilei, liguei para minha esposa e decidimos acolher um novo membro na família.
Faz sete anos que estamos juntos, compartilhando o mesmo lar, dividindo, inclusive, a mesma cama… quem tem gatos sabe como é.
Há momentos em que temos vontade de dar uns puxões de orelha no senhor Krishna; ele é muito manhoso, e isso tem se tornado mais acentuado com o passar dos anos, afinal, ele já é um gato idoso, perdeu os dentes e se vê no direito de exigir a atenção que merece.
Arrependimentos? Nenhum, somos gratos ao Senhor da Vida por nos dar a oportunidade de servir através do amor.

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