Miguilim, meu anjim

27 de julho de 2022, terça. Trago para a casa um corajoso guerreiro. Miguel era seu nome. Eu preferi Miguilim. Seus brilhantes olhinhos derreteram meu coração. Sua triste história começara ao ser abandonado,às portas da morte, por seu primeiro tutor, em uma clínica veterinária em Franco da Rocha. Trazido a Jundiaí em uma clínica para pets incomuns, sua vida foi salva e seu bico mutilado ganhou uma prótese temporária. Mas ele continuou sendo repassado. Sua penúltima tutora nem acreditou na rapidez com que eu o aceitei. Procurei dar a esse anjinho sofrido os melhores anos de sua vida. 3 de novembro de 2025, terça. Logo cedo, o nosso ritual: um ovinho cozido de codorna e o “eu vou, mas volto, viu, anjinho?”. Na volta, Miguilim, olhos brilhantes, nenhum sinal de agonia, caidinho no chão do gaiolão, de barriguinha para cima. Meu anjinho está morto. Eu me arrependo de alguma coisa? Não, faria tudo de novo. Mimar, estragar, lentamente me aproximar e ganhar, ao longo dos anos, a confiança desta criaturinha sofrida, tantas vezes repassada, e que somente a morte pôde arrancar de meus dias. Jamais, porém, de meu coração. Querido Miguilim, meu anjim, que eu amarei até o fim dos meus dias. E além.