Marlon

Esta é a última foto de Marlon.
Tirada no banco do passageiro, instantes antes de ele partir para sempre.

Olhe para ele: as patas firmes no painel, o focinho erguido, a língua escapando num sorriso ofegante de quem ainda acredita que o mundo é uma estrada infinita. A luz do fim de tarde banha sua pelagem bagunçada — castanho, cinza, ouro —, transformando cada fio em pincelada de memória. Seus olhos azuis, meio fechados contra o vento, guardam todas as corridas no parque, todas as noites encolhido no pé da cama, todos os latidos que diziam “estou aqui”.

Esta não é apenas uma foto. É o adeus que não conseguimos dizer em palavras.
É o retrato de um amor que cabe inteiro num clique.

Escolham esta imagem para a arte porque, nela, Marlon não morreu: ele está vivo, eternamente pronto para a próxima curva.
E quem olhar vai sentir o coração acelerar, como se ouvisse o motor ligando e a voz dele chamando: “Vamos?”.

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