Kya

Eu tinha apenas 18 anos e, para ser sincera, nunca fui fã de gatos. A ideia de ter qualquer animal de estimação estava bem distante dos meus planos. Mas o destino, ou melhor, a Kya, tinha outros planos para mim.
​Ela apareceu em um dia completamente aleatório. Simplesmente estava ali, no meu quintal. No início, eu só a alimentava, pois era uma gata de rua, e eu sentia pena, mas a intenção de adotá-la? Nenhuma.
​Aos poucos, ela foi se acostumando à rotina da comida na porta. No entanto, um dia, o instinto falou mais alto, e ela sumiu. Foram quase duas semanas de silêncio e, eu admito, uma ponta de preocupação.
​Até que, numa noite, ela reapareceu. Magra, visivelmente desgastada pela rua, e mal tinha forças para comer o que eu oferecia. Eu a peguei no colo. Ela se encolheu, e eu senti que, finalmente, ela estava em casa. Aquela breve e difícil aventura a tinha ensinado uma lição: sua segurança e o verdadeiro lar estavam comigo.
​Foi naquele instante que a chave virou. Eu, a jovem que nem gostava de gatos, percebi que ela me escolheu.
Hoje, ela é a rainha do lar, a gata mais caseira e apegada que se pode imaginar. Ela me adota todos os dias. E eu? Eu não a adotei. Foi Kya quem, astutamente, entrou na minha vida e me adotou como sua humana para sempre.

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